quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Explorando, sugando e lucrando com a paixão dos fãs

O Iron Maiden anunciou o relançamento de sua discografia em discos de vinil de 180 gramas. Os discos clássicos, até o Seventh Son (1988), mais os singles do período. Deve ser a décima vez que isso ocorre. A centésima, ou talvez até mesmo a milésima. Em CD, em LP, no caralho a quatro.

E sempre nesses oito primeiros álbuns - os sete de estúdio e mais o Live After Death. É a banda atestando que o resto da sua carreira não importa. Nada, nem pra eles. Apesar de discos muito bons como Brave New World e The Final Frontier.

E os fãs, cegos, idiotas e todos os demais adjetivos possíveis, vão comprar de novo. E mais uma vez. E quantas vezes a banda decidir relançar.

Ninguém mais compra discos. Não há mais razão para ter discos. O formato físico morreu, e já faz tanto tempo que nem cheirar mal ainda cheira.

Mas o Maiden segue investindo nesse formato. Bem, não necessariamente nesse formato. O Maiden segue investindo na exploração da paixão cega de seus fãs, fiéis desde sempre. Lança cerveja, camiseta, poster, o que der na telha, todos os anos. E novas versões de seus discos de tempos em tempos. 

Já deu. Invistam em outra coisa, Steve e Bruce. Já ficou chato bater na mesma tecla, sempre e cada vez mais. Parem. Todo mundo já tem esses discos. E no mínimo em umas três ou quatro versões diferentes. Olhem para frente. Desapeguem do passado. 

Mas aí vai ser preciso desapegar da grana. E essa, vamos admitir, vai ser difícil.

Postura lamentável de uma banda que parece mais preocupada em ficar sentada vendo os números de suas receitas aumentarem do que em produzir algo novo. 

Vou ali tomar uma Coca-Cola. Ouvindo Ali Farka Touré, bluesman africano falecido em 2006 e que atualmente tem muito mais a me dizer do que Harris, Dickinson e companhia.

9 comentários:

  1. É estranho, no mínimo, ler isso de um cara que menos de um ano atrás estava em sebos e defendendo com unhas e dentes os colecionadores, fazendo entrevistas com outros aficionados, chamava os grandes colecionadores de mestre, etc....
    Enfim, cada um faz o que quer da vida, mas acho no mínimo incoerente... como sempre.

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  2. Sobre o formato físico...acho que para tudo há um equilíbrio....Ele nunca morrerá, vai sim encontrar um espaço junto a música via nuvem...eu gosto dos dois formatos...nunca fui de comprar desesperadamente tudo de um determinado artista....mas apenas o que é do meu agrado e o que considero justo em termos de $$$$...além do mais, no meu caso, possuo um sistema de som que herdei do meu pai que é extremamente superior a qualquer streaming...gosto de ouvir os meus discos e CDs preferidos em formato físico neste aparelho, sendo assim jamais vou parar de comprar....a única coisa boa é que com o streaming meu leque de opções tende ao infinito e e isso é ótimo (fora que pra assinantes a qualidade de som é muito boa)...fora que a chance de eu gastar $$$$ com algo que eu não goste é praticamente zero...acho que você está sendo um pouco radical Cadão...mas talvez seja minha impressão. Em relação aos fãs comprarem N vezes o mesmo item....bom....isso é no mínimo esquisito...mas já que a banda funciona como uma empresa e isso gera lucro...em termos empresariais não está errado...já em termos artísticos...concordo...preferiria que estivessem compondo pra um próximo álbum...mas sabemos que nesse meio o saudosismo é muito forte

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. parabens pelo post.
    fãs de iron, metallica e por ai vai, sao as pessoas mais faceis de arrancar dinheiro sem produzir absolutamente nada de novo.
    uma ideia que eles poderiam fazer é ficar lancando tambem shows ao vivo com exatamente o mesmo set list todos os meses, mudando apenas a capa que venderia muito!!!

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  5. O Ivan matou a pau! Pra mim, o Seelig é bipolar, clinicamente falando, e precisa de tratamento. Basta ver as oscilações de humor, e de opinião no Collector´s, com intervalos de tempo curtíssimos. E a baixa tolerância ás críticas, materializadas no bloqueio crescente de comentários, culminando com o fim da página. Jajá, aqui também. Já fui bloqueado lá centenas de vezes, como imagino que este comentário também será.

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  6. Olha, acho que o Maiden não fez nada de errado. Se estão relançando, estão apenas suprindo uma suposta demanda, e não estão apontando uma arma na cabeça de ninguém obrigando a comprar.

    E Ricardo, costumo gostar muito do que você escreve e me identificava muito com suas críticas na Collector's Room, mas esse final do texto foi muito desnecessário. Você não precisa ostentar essa suposta superioridade intelectual baseada num ecleticismo que você julga ser algo muito surpreendente. Sério, você não precisa disso.

    Enfim, era isso.

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  7. Pensei que esse Blog pertencia ao mesmo Seelig do Collectors, mas estava completamente enganado. Essa pagina, para mim, representa o significado do seu titulo, o completo NADA e a "soberba" de um cidadão que se acha melhor e acima intelectualmente dos demais, por estar escutando Jazz e Blues obscuros, estilos musicas completamente distante da maioria da população. Esse Seelig do "Masquenada" é um completo “chato de galochas, que nega a essência do seu passado que era colecionar artigos voltado para o rock e metal. Queria muito agradecer ao antigo Seelig por ter ampliado meu conhecimento musical. Por anos acompanhei o seu antigo Blog, que me foi muito útil para eu tirar essa visão tacanha de só ser "True Metal". Pretendo continuar comprando formatos físicos, relacionados a bandas que me agradam, espero passar tal habito para meus filhos, torço que isso se perpetue e que esse mundo virtual nunca prevaleça por completo, pois isso esta tornando a vida e as pessoa mais chatas. Desejo boa sorte ao novo Ricardo Seelig, apesar de não concordar com sua nova visão das coisas, o que me resta é “desfavoritar” esse Blog. Um grande abraço!

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  8. Ricardo, considere seus leitores, cara. São todos pessoas que te admiravam, e não entendem essa pessoa que você se tornou, ou está se tornando. Seu trabalho lá atrás já foi muito bom, de onde vem tanta amargura, bro?

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